janeiro 03, 2010

Pensamentos de um pescador...

Com a falta de relatos, vou preenchendo o meu espaço com algo que me diz muito... a escrita da Mara. Deixo aqui um trecho que ela me dedicou...
Do livro: Abre a porta e leva-me... pelos refúgios de uma Veneza de Portugal.

Quando estou a pescar, sinto uma serenidade enigmática.
Por vezes, sinto um bichinho nervoso a pulsar dentro de mim.
Porque pescar, para mim é um prazer, uma mistura de adrenalina e uma placidez silenciosa. Uma quietude, que me permite evocar o meu íntimo.
Nesses momentos, a vida passa-me à frente dos olhos, como uma película de um filme. O filme da minha vida…
Percorro estradas, entro num beco sem saída, perco-me em labirintos, sinto-me só.
Vejo-me num barco, onde os remos se perderam e eu estou ali, à espera de um salvamento desta angústia que me afoga.
Mas num dia, a princesa encantada desperta de um sono profundo e procura-me. Venço as minhas batalhas e vou ao seu encontro.
O sol aquece, o dia nasce, a luz tonifica o céu, a paixão amadurece, e a Vida

torna-se poesia.
Aqui, ou em qualquer outro lugar onde pesco, ouço os meus pensamentos. Num doce afago, penso no que a minha vida poética me trouxe.
Sinto-me embalado e a adrenalina aumenta, sinto-me rejubilado e aguardo…
Fecho os olhos, respiro fundo, liberto todos os sentidos. De repente, sinto peixe. Fico nervoso, naquela luta desigual. Fito a água insistente, mas não desisto. Sigo-o, sem me resignar ao seu duelo. O combate termina, com sucesso.
Agora descanso. Sinto-me bem. Regresso aos meus pensamentos…
Sobre o meu braço, num movimento ténue, sinto a tua mão. De súbito ouço a tua voz. Faz-me chorar. Tocas-me, enxugas as minhas lágrimas de sal e dizes-me ao ouvido: Estou bem.
Volto à serenidade com que cheguei e regresso ao meu porto de abrigo.
À minha espera, tenho-as à minha espera. Agora não tenho só uma princesa, tenho três. São elas que me mostram que a Vida não é lodo, mas sim fonte de existência, de jardins onde a primavera perdura. É hora de florir.
O maestro sacode a batuta e a música rompe a minha vida poética, e todos dançamos ao som de um amor único…

4 Comentários:

Humberto disse...

Pensamentos que não deixam ninguém indiferente... Os meus parabéns, adorei.

Aquele Abraço,
Humberto.

Fermíntxo disse...

Me temo que muchos de nosotros(pescadores)tenemos pensamientos similares..
La pesca hecha poesía..
SALUDOS.

joao madail veiga disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Pedro Galante disse...

Hola!
Creo que sí. Especialmente aquellos que hacen de este deporte, un momento de ocio.

Gracias

Saludos

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