dezembro 25, 2009

Regressando a 1996...

Não, desta vez não tenho fotos, quero deixar o testemunho sobre o meu ano de pesca de 1995/96. Nesta altura pescava única e simplesmente na praia ao fundo. As minhas idas à pesca iniciavam-se sempre em Setembro ou Outubro. Lembro-me muito bem desse ano. Fiz uma pescaria em meados do mês de Novembro de Linguados (grande pescaria esta na praia do Areão), e o mais curioso, apesar de ser uma pessoa insistente nestas lides, os meses seguintes foram miseráveis em peixe. Ou era um, ou eram dois, ou era zero! Não passava disto. Em Fevereiro de 1996 e já desesperado com o que se vinha a passar, fiz uma promessa a mim próprio: “no dia que tirar um peixe à séria, nunca mais voltarei a pescar”. Continuei a insistir. E era aqui que queria chegar: Data de 28 de Março de 1996. Na altura, eu era distribuidor de vinhos, bebidas e seus derivados, tinha uma carrinha de 3500kg de caixa aberta. Eram 16h da tarde e resolvi ir uma vez mais até à praia da Costa Nova. Pescava na altura com quatro canas, duas da índia e duas Sportex, uma das quais era de 5,20m. Os meus carretos eram: um Mitchell 498, outro 498Pro (este ainda o tenho hoje), e dois Sofi (quem não os conhece). Chegado à praia (Visual), e depois de preparar as canas, quatro lançamentos. O mar apenas rebentava na borda, estava um mar propício para uma boa pescaria. Engano meu, por baixo estava com força, o suficiente para me levar as linhas para cima das pedras do esporão que se encontrava do meu lado direito. Pensei eu que uns dias antes tinha visto na praia da Vagueira um bom local para pescar: aqui não me safo, vou até lá. Como o meu transporte era de caixa aberta, aqui não tinha muita dificuldade para as canas, estas iam já montadas. Chegado à Vagueira, o mesmo ritual, quatro canas, quatro lançamentos. Eis que a primeira cana que lancei o lançamento tinha ficado curto, puxei, isquei-a melhor, e lancei. Obra do diabo este lançamento. Assim que lancei, espetei a cana (sportex 5,20m), estiquei a linha, e baixei-me para pegar no balde da isca, quando de repente vi a ponteira da cana num vai e vem tresloucado (ainda hoje me lembro perfeitamente dos três violentos esticões). Depois dos puxões, a linha fica lassa, corro à cana, dou à manivela durante alguns segundos mas não sinto nada preso. Penso eu:, partiu tudo! Só que o melhor estava para vir, depois de continuar desenfreadamente a dar à manivela, eis que sinto tudo preso, apenas sinto uns puxões secos e violentos. Deu para notar que estava ali algo transcendente agarrado ao anzol. A sul de mim encontrava-se um senhor à pesca, gritei-lhe com todo o fôlego que tinha para me vir dar uma ajuda. Era um senhor já de uma certa idade que, coitado, veio o mais depressa que pode. Enquanto isso, o animal já estava perto da rebentação. Aqui era o meu maior medo, a praia era muito inclinada e o mar só batia na borda mas com força. Nestas alturas não há embraiagens que nos valha (pelo menos naquela altura não se falava disso), tudo acontece muito rápido, e depois, quem se lembra de tal? A cana, eu já não a conseguia pôr na vertical, já a tinha apontada para o horizonte. O senhor lá andava para um lado e para o outro, acompanhava-me num para cima e para baixo. Assim que vinha uma onda, o peixe também vinha, o pior era quando a água recuava!!! O senhor dizia: Dê linha, dê linha. Mas eu não ia por aí (estava seguro que pelo material ele não se ia embora, madre 0.80 e estralho 0.50), eu acompanhava-o na dança, até que ouço: já o tenho!!! Mandei a cana para o chão, cheguei-me para perto do senhor (coitado, estava um pouco molhado), e acreditem: Mandei um berro medonho! Nunca tinha visto coisa igual! Era muito grande. Na altura, não se ligava muito a pesos, mas este foi medido pela pessoa que "cuidou" dele, 92cm, era a medida dele. Este peixe dava-me quase pela cintura (1,86m, é a minha altura). O senhor poisou-o no chão, e eu, agradeci-lhe a preciosa ajuda.Quando ele me voltou as costas ao ir-se embora, sentei-me ao lado do peixe, as minhas pernas já não aguentavam nem mais um segundo em pé, eu tremia por tudo quanto era “canto” e “esquina”. Olhei para o peixe e pensei: grande leitão que me saiu hoje! Este peixe saiu por volta das 19:30H, estive até á meia-noite naquele local e apenas pesquei mais um sarguito. Coisas da pesca! Há momentos felizes na nossa vida! Pois então, desde aquele dia até Outubro de 2003, nunca mais me dediquei em pleno à pesca, apenas algumas vezes fui pôr a minhoca de molho só mesmo para matar saudades.Mais dois anos de pesca ao fundo, e decidi comprar uma cana de bóia e um carreto. A malta da família agradece esta pesca. Agora e para terminar. Diz-se que cada vez o peixe é menos. Eu deixo aqui esta questão, será que o peixe é menos, ou cada vez, temos menos tempo para nos dedicar a eles? Não podemos ir numa altura qualquer fazer uns simples lançamentos. É preciso lá estar quando tudo se coadjuva na perfeição (mar, tempo, marés, etc.), e depois, saber escolher os locais bem quentes. Sim, acredito que o peixe seja menos, mas também não é menos verdade que nestes últimos anos tenho visto pescarias infernais de pesca apeada, não só à bóia como Corrico, etc. Enfim, coisas da pesca que nos dão muito pano para mangas e para pensar.

2 Comentários:

Anónimo disse...

bom dia amigo!
sei o que sente ao recordar esse dia pois eu também recordo com saudade alguns momentos que vivi na pesca de boia. agora que estou mais ligado ao spinning existe uma questão que referiu e faz todo o sentido. devemos estar lá na hora exacta, pois só assim podemos obter bons resultados. apesar da minhas tentativas, desde julho que não tenho capturas, mas não é por causa disso que vou desistir, muito pelo contrario, é ai que vou buscar forças e coragem para continuar. convido a visitar o meu blog que é:spinningnonorte.blogspot.com.
um abraço e continuação de boas pescarias.

Milton Morais disse...

Grande Pedro, mais um belo relato :) Eu ainda estou á espera do meu momento de glória. Concordo plenamente contigo em relação ao "não haver peixe", o tempo é pouco e os peixes estão cada vez mais "espertos" ;)

Abraço e bom ano de 2010
Milton

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